quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Pelos caminhos de Portugal - Madeira


A Madeira e os Açores sempre foram locais que ansiava conhecer. 

Surgiu então a oportunidade de termos umas mini férias e escolhemos a Madeira. Ora bem, para ser sincera, na altura, era o destino mais barato!



Se não fosse o lúpus e o saf eu diria que as férias foram perfeitas, mas infelizmente, a minha condição "atrapalhou" um pouco. As minhas limitações estavam ao flor da pele e o descanso foi necessário.

Mas limitações à parte, a Madeira é um excelente destino. Desde o clima, as paisagens, passando pelo sossego e pela comida, tudo é fantástico!!

Ficamos hospedados no hotel Muthu Raga****. Gostamos muito do hotel. Qualidade/preço impecável. A sala do pequeno almoço tem uma vista sob o mar divinal... para além do quarto ser espaçoso, tinha uma varanda que apesar do quarto não ter a melhor vista, sempre deu para "iluminar" o quarto com luz natural...

Alugamos um carro para podermos conhecer a ilha.

No primeiro dia, depois de um breve reconhecimento pela cidade, e depois de descansar da viagem, demos um volta pela cidade do Funchal e fomos jantar a Madalena do Mar, à Casa de Pedra. Aí comi o bolo do caco pela primeira. O picadinho era maravilhoso e as lapas também.



No dia seguinte decidimos percorrer a zona norte. Conhecemos as casas de Santana e daí seguimos para Porto Moniz, parando em muitos miradouros, admirando a paisagem. Seguimos em direção ao Véu da Noiva e depois almoçamos em Porto Moniz.









Passamos lá a tarde. Ao ir para o hotel (As minhas pernas já precisavam de descanso) passamos pela Ponta do Pargo onde ficamos a contemplar a paisagem!










Jantamos num sítio fantástico, restaurante La Parreira. Lá experimentamos a tão falada espetada Madeirense.



Dia 3- Praia da Calheta. Em pleno Janeiro estavam 24°. Mais uma vez fomos brindados com paisagens fantásticas, de ficar pasmados a olhar.




Depois, lá fomos nós ao Curral das Freiras. Ao subir fez-me lembrar o Gerês. Montanhas e mais montanhas, curvas e mais curvas, com uma vegetação envolvente, dava a sensação que estávamos num mundo à parte. Optamos por lá almoçar, no restaurante Sabores do Curral. Fantástico também. Aí privilegiamos a escolha da espetada em pau de Loureiro. Topíssima escolha!!










Da parte da tarde, fomos provar a famosa Poncha da Madeira, na Taberna da Poncha. 
Os amendoins mostram onde há boa poncha!
Lá deixamos a nossa "marca" para mais tarde recordar.






Todos os finais de tarde, recolhia-me um pouco ao hotel para poder esticar as pernas. Estavam super inchadas e já me custava andar...
Depois do pequenino descanso, fomos conhecer a zona velha do Funchal. Acabando por ir jantar à Taberna Ruel. Um serviço de excelência, com uma comida de acordo com o serviço. Demos prioridade à escolha do peixe espada e do bife de atum.




Dia 4- ficamos pelo Funchal. Almoçamos junto à Marina. E a parte de tarde dedicamos ao passeio de teleférico e fizemos um reconhecimento da cidade por autocarro.


















Jantamos bem pertinho do hotel, no restaurante La vaca negra, um restaurante argentino onde a carne era rainha. Fabulástico!



Dia 5 e último dia- fomos até ao Caniçal. Almoçamos lá. Escolhemos este local por ser perto do aeroporto, visto que as 14h tínhamos que entregar o carro.




Não conseguimos ir a todos os sítios, com muita pena minha, mas tive consciência das minhas limitações. Percorri ao máximo e vi um bocadinho de tudo. Fica a promessa de lá voltar para conhecer o que não consegui ver desta vez.

Neste resumo da nossa viagem fica por mostrar a quantidade de túneis que a Madeira tem, a quantidade de Fiat 500 que vimos e a quantidade de bolo do caco que comemos!!!

É se realçar que ainda "apanhamos " a época natalícia, e as ruas estavam iluminadas, cheias de presépios espalhados nas ruas e rotundas.







ADORAMOS!!

domingo, 29 de dezembro de 2019

Fim de ano - pensamentos


O fim de ano aproxima-se. E até custa a acreditar que faltam apenas dois dias!!! Como assim??? Ainda ontem estávamos de férias em Agosto, e Janeiro já nos está a bater à porta.
Hoje dei por mim a pensar o que fiz este ano, o que ficou por fazer, os objectivos para o próximo ano, etc etc... gosto de fazer sempre esta retrospectiva no tempo. E sobretudo pensar na forma como o tempo nos molda. Como a vida nos transforma e nos muda. Muda de rumo, de amigos, de objectivos, de tanta coisa que tudo o que se planeia por vezes vai por água abaixo.
Desde que fiquei doente, que os planos para mim cheiram a medo, a escuridão, a ansiedade. Porque nada na minha vida foi planeado. Fui sabendo receber e adaptar-me ao que a vida me trouxe.
Talvez seja esta a melhor forma de viver. Não planear muito. 
Mas por outro lado planear é importante. Traçar objectivos pessoais e profissionais é o que nos faz manter vivos e querer mais, é estarmos activos na vida. 
No entanto, é importante saber viver o dia de hoje. O agora. É de extrema importância saber traçar novos rumos, digamos que sub-planos (se é que me entendem) quando a VIDA nos troca os caminhos.

Sigo a minha caminhada a sonhar... Mas conscientemente preparada para o que vier, seja bom ou seja mau. 
Aprendi que temos que viver um dia de cada vez, e esforçarmo-nos ao máximo para ultrapassar todas as adversidades que nos são colocadas.
O importante, como se costuma dizer, é ter saúde. Porque a falta dela, e isso digo com a maior certeza, traz muitos problemas. 
Se já tivermos saúde, o resto?? O resto vem por acréscimo!!

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Menino Jesus vs Pai Natal


Esta semana, a minha filha de 4 anos, diz-me:
- mãe, tu dizes que é ao menino Jesus que tenho que pedir as prendas, mas eu na escola fiz uma carta ao pai Natal! Quem traz os presentes? 

Pois é, que verdade! Para ela contraditória. 

Alimentamos o pai Natal, a ideia fantasiosa de um velhinho de barbas brancas que vive no polo de norte e que se desloca de trenó conduzido pelas suas renas. Trata-se de uma figura querida do nosso imaginário, fruto de uma publicidade que durante estes anos tem feito as delícias dos miúdos e graúdos.
Até aqui tudo bem! 
Mas o que realmente tem acontecido??? Será mesmo só isso??? Será mesmo só essa magia???

Não... infelizmente não... contra mim falo até porque me aproveito dessa figura do pai Natal. "Se te portares mal o pai Natal não te traz as prendas", "olha que o Pai Natal está a ver!", expressões estas que andam na minha boca desde o início desta época natalícia.
Com isto, o verdadeiro espírito do Natal termina.
E qual é o verdadeiro espírito??

Dei por mim a pensar no consumismo exacerbado desta altura. Da azáfama, da correria, das filas nas lojas...
E dei por mim a pensar no Natal quando eu era pequenina. Recordo -me do meu avô ir buscar o Pinheiro ao monte, de irmos buscar musgo e juntos construir um presépio. Com pedrinhas construímos os obstáculos da caminhada dos pastores e reis magos. Colocavamos as luzinhas e a cabana. "Mas o menino Jesus não pode estar porque ainda não nasceu", dizia-me a minha avó. E vivia aquela quadra, com a esperança do que o menino Jesus ia trazer.
Na noite de Natal, deixava o sapatinho, e de manhã bem cedo corria até ao local para me deliciar com a oferenda... 
"Só podes pedir uma prendinha, porque o menino Jesus é pobrezinho!"
E assim foram criadas as minhas raízes. Obviamente que também havia o pai Natal, mas era saudável a relação que tinha com o menino Jesus. O pai Natal era só um intermediário aos pedidos do menino Jesus.
Era tão diferente, tão mágico, tão fantástico!

Só espero que a minha filha viva o mesmo e que não se estrague no meio deste mimo e consumismo.
E explico-lhe o verdadeiro sentido do Natal (ou tento) e conto-lhe a história do menino que nasceu, há 2019 anos, numa manjedoura sem nada. Quanto ao pai Natal??? Digo-lhe que é um senhor muito simpático com as crianças que ajuda o menino Jesus. 
- Mãe porque o menino Jesus dá presentes??? 
Porque o melhor presente é a vida, é a luz, é dar-se, é família, é estar presente, é amor... E é sobre o amor que esse menino nos veio ensinar!!!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Cortisona: uma relação de amor/ódio!


Sonhei com o desmame. Ansiei pela chegada do dia. Aguardei com muita paciência a chegada da altura que me veria livre da cortisona.
Eis que é chegado a altura e as coisas não correm bem. Pelo menos não correm como eu esperaria .
Tanto tempo à espera para isto??

Tonturas e tremores marcaram estes últimos dois dias. Sintomas estes que me assustaram. Que me atiraram para o sofá. Que me atiraram para um fundo de onde eu já saí. 
Trouxeram o medo!
O que é isto? O que está a acontecer comigo??? Eu não consigo fazer nada...
Fui obrigada a cancelar o meu trabalho. 
Fui obrigada a respirar fundo e a procurar ajuda. 
"Calma! Calma que é normal!"

Normal?? Mas o normal é isto???

Esta relação de amor ódio que sempre tive com o corticoide ainda veio mais se acentuar. Se por um lado gostaria de me ver livre dela, por outro o meu corpo ressacava pela falta dela. 
Este desmame terá que ficar para outra altura. Uma altura em que possa descansar, parar, acalmar.
Não é agora. Afinal não é quando se quer. É quando se pode.

No meio disto tudo, só me veio trazer mais medos. Mais insegurança. Mais dúvidas.
O que vai ser de mim depois da cortisona?? Serei capaz de aguentar "sozinha" as dores sem a sua ajuda??? 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Dia de todos os Santos: a morte e o cemitério!

Com o avançar da idade, começo a olhar para este dia com outros olhos. Para além de toda a vaidade e excentricidade que também caracterizam este dia, o dia de todos os Santos que antecede o dia dos fiéis defuntos, é dedicado a homenagear todos os que já partiram...

Há uns atrás, tinha eu 12 anos perdi a minha avó paterna. Uma avó querida que brindou a minha infância com uma doçura contagiante . Após um ano perdi o meu padrinho, uma pessoa muito especial. Convivi de perto a dor da minha madrinha e o conforto que lhe trazia nas visitas ao cemitério. Acompanhei-a sempre sem perguntas. Durante anos, não entendia a sua "obsessão " pelo cemitério, pelo embelezamento por vezes exagerado, pelo seu extremo cuidado e atenção. Simplesmente sabia que aquilo lhe fazia bem, lhe trazia paz ao seu coração tão atribulado e matava um pouco a saudade. Lá, ela sentia -se mais perto dele!

Já adulta, com 24 anos perco o meu avô paterno. Foi duro! Depois daquelas mortes que marcaram a minha pré adolescência, é a primeira vez que sofria uma morte "a sério"! Já não existiam paninhos quentes, a realidade é assim: as pessoas nascem e sabem que vão morrer. É a realidade nua e crua! É saber que a partir daquele momento a pessoa parte e só permanecerá na nossa memória e no nosso coração.

Em 2016, perco o meu avô materno. O meu pai de criação, o meu encarregado de educação. E aí com uma idade e vida diferentes, com uma experiência de vida muito maior, perco um pouco da minha vida. A pessoa que me criou, que me educou, que me acompanhou, partia... E aí sim, o cemitério começou a ser diferente para mim... Já não era visto como um lugar para mortos, mas sim como o local onde estavam os meus. As pessoas que fizeram parte da minha vida. Que me viram crescer e que ajudaram a crescer.

No final do ano passado perco o meu tio e primo numa tragédia. Um acidente leva pai e filho. É daquelas coincidências que não conseguimos perceber porque acontecem. É difícil aceitar.

Este ano, em Março sou confrontada com um cancro terminal do meu sogro. O acompanhamento, o apoio naquele caminhar para a morte foi doloroso. E ainda mais doloroso porque tráz à memória coisas antigas. 19 anos separaram as histórias do meu sogro e do meu padrinho, mas a dor é repetível e inconfundível. Simplesmente com um pensar diferente. 

Agora quando vou ao cemitério visitá-los, falo com eles, como fazia e faz a minha madrinha, porque lá estou mais perto deles. Porque só não estou com eles fisicamente!