terça-feira, 23 de março de 2021

5 anos depois da trombose!

 A foto não é a mais bonita, mas é a minha realidade. Uma realidade nua e crua sem um bocadinho de magia do mundo cor de rosa. Há 5 anos a minha vida entrou numa montanha russa de emoções que transformaram os meus pensamentos, as minhas atitudes e a minha personalidade. 

Este novo "eu" teve que aprender a viver. Morri e renasci. E como um bebé que aprende a andar e a falar, também eu aprendi a conviver com os fantasmas e medos de tudo que trás uma doença crónica. A palavra crónica é pesada. Para sempre é muito tempo. Como imaginar uma dor que é momentânea virar uma dor para sempre? Como suportar essa ferida? Como aprender que certas coisas podem piorar? Fui invadida por questões que algumas, hoje, ainda não tenho resposta. Outras o tempo fez me perceber com mais clareza que tudo acontece por um motivo. Nunca me perguntei: "porque eu?"! As lágrimas demonstraram a minha revolta, a minha fraqueza, a minha tristeza, tal como também mostraram a minha aceitação e a minha superação.

 5 anos depois da trombose venosa profunda que me atirou para um hospital, totalmente debilitada e cheia de limitações, que me afastou da minha filha que tinha 3 meses e tanto precisava de mim, olhei para a minha perna. E chorei muito... Nestas marcas, neste edema, nesta pele roxa e avermelhada está muito do meu sofrimento e dor. Não só físico. A dor que tenho vai muito mais além que uma limitação física. Todos os dias me dói. E cada vez que sinto a dor física lembro- da dor da alma que passei naqueles momentos de há 5 anos, que para mim, foi ontem. O meu corpo, está todo ele marcado. Marcas estas, de uma viagem cheia de feridas. Não vão sair. Vou ter que conviver com elas e aprender que este caminho, apesar de o tentar esconder com as roupas mais bonitas que possa encontrar, é um caminho sombrio, cheio de obstáculos. Por detrás da roupa ou de um sorriso, "existe uma história que nem de longe os olhos de quem vê são capazes de desvendar".


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Como foi perceber que nunca mais voltavas a ser como antes?

 " Como foi perceber que nunca mais voltavas a ser como antes?"


Esta foi e é das perguntas que eu mais recebo. Só quem passa pelo mesmo é que nos entende. Às vezes sinto-me que não falo a mesma língua... por muito que respeitem, entender não entendem... 

Ainda ontem falava com uma amiga virtual (que eu espero que passe disso) que temos uma coisa em comum: um antes e um depois. Aliás  acho que todas que atravessamos este caminho sentimos isso.

Temos saudades de ser como éramos, mesmo sabendo que a doença  nos transformou. Não é só o físico que altera, a nossa cabeça sofre uma reviravolta muito grande. 
A vida muda, a rotina muda, o corpo muda, e nós mudamos. Perceber essa mudança é difícil. Aceitá-la ainda mais difícil é! A aceitação é o caminho mais controverso que passamos. A revolta por vezes é enorme.
Existem dias de tudo!

Comigo a pior parte de aceitar foi o aspeto físico. O corpo mudou, ficou cheio de marcas, os quilos não se foram embora na totalidade, o rosto alterou, o cabelo também... olhar para um espelho e ter auto estima da forma como o nosso corpo está é o maior engolir em seco que nós temos. O pensar que vou tomar remédios (como diz a minha filha) para sempre também é complicado. O saber que o medo estará presente para sempre é o maior tormento da nossa vida.

No entanto, o perceber que nada será como antes também não é mau. Estas doenças deram-me uma força que eu desconhecia que tinha, deu-me vida, deu-me segurança. Como hoje dizia a Sofia Ribeiro no Goucha, esta partilha com pessoas que passam pelo mesmo, ajuda-nos a sentir melhor porque afinal falamos a mesma língua. E foi este blogue que me ajudou imenso a aceitar e ajudar outras pessoas que estão a passar pelo mesmo.

No fundo, todas estas vivências trouxeram-me luz. Não foram só coisas más! Talvez eu me tenha descoberto e percebido qual o sentido da minha vida: através da minha experiência ajudar muitas outras pessoas. E isso é o melhor que se pode tirar deste sofrimento todo!


quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Ser filha de pai emigrante!

 Ser emigrante é difícil. Mas ser filha de pai emigrante também o é. E ainda mais quando é pequenina! Está a crescer a ver o pai a partir, por vezes não entende mas já se mostra muito "adulta" no que toca a despedidas. 

 O pai disse que ela não podia ficar triste porque logo logo estava de volta. Ela respondeu: "posso ficar um bocadinho triste? Posso chorar um bocadinho?" 

 Ontem não o levou ao aeroporto. Ela estava com muita vontade de ir para a escola e preferimos que ela não fosse para não "sofrer tanto". 

 Ao final do dia estava chatinha, a fazer birra e sempre a chamar a atenção. Tirei um tempo para irmos dar um pequeno passeio e então ela confessa: - Mãe estou um bocadinho triste porque o pai foi para a Suíça. Eu estava a fazer birras porque eu queria o meu pai aqui.

 Não resisti, e chorei... 

 "Mãe, não podes chorar. O pai disse que só podemos ficar tristes um bocadinho."

 Enchi-a de beijos e ela logo muito de repente diz: - o pai não aceitou o meu dinheiro do meu mealheiro para ficar aqui e não ir mais para a Suíça. Por isso, agora vamos ao burguer King porque tu prometeste. Vamos gastar o dinheiro que o pai manda da Suíça 😄😄😄 


 Soltei uma grande gargalhada porque afinal o pai manda só ficar triste um bocadinho!!😁😍 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Parabéns Ana Rita ❤

 Chegaste sem avisar e não foste desejada. Não te amei no primeiro momento... demorei a acreditar que estavas dentro de mim. Não fiquei feliz. Mudaste os sonhos e os planos. Chorei muito... senti-me desnorteada e sem rumo. 

Fizeste feliz todas as pessoas menos eu.
Que feio é uma mãe dizer isto mas é a verdade. Foste um choque! Foste medo e insegurança. Foste lágrimas e desilusão.

Mas foste a minha maior benção e o meu maior milagre. E no dia 3 de Dezembro levei uma chapada de amor! Como foi possível eu não te amar no primeiro momento mal soube que estavas dentro de mim?
Vieste provar que na minha vida não há planos. Existem sim sonhos e tu não és impedimento. És sim a luz que me ilumina esse caminho. És a força que preciso e és a saúde que eu não tenho.

És enérgica! Trazes ao meu mundo a alegria que faltava. Deixas a tua marca por onde passas e és sem dúvida o melhor de mim.

Há 5 anos nasceste e contigo eu também nasci como mãe. Obrigada filha por me teres escolhido. Obrigada por me ensinares que as coisas quando acontecem é para nos mostrar que por vezes o lado do avesso é o lado certo!

Parabéns luz dos meus olhos, parabéns minha alegria, parabéns minha Ana Rita ❤





quarta-feira, 30 de setembro de 2020

O Tempo!

 Quem gostaria que o tempo voltasse atrás? Ou então que avançasse rapidamente??? Ou então que parasse como se pudéssemos colocar stop.

O tempo é o nosso maior amigo mas também o nosso maior inimigo. O tempo eterniza momentos, como também os ajuda a esquecer.
Parece contraditório não é??? Embora, olhemos para o relógio para a hora do fim do trabalho chegar rápido, ficamos tristes porque o tempo passa depressa demais.
Talvez precisaremos de ter tempo para ter mais tempo como diz a música da Mariza. "Porque o tempo não pára, nem espera pela gente".
O tempo não volta, avança minuto a minuto, segundo a segundo. Não damos por ele passar. Vivemos a pensar nele. Não temos tempo. Mas queremos ter. E ela passa todos os dias por nós....

sábado, 19 de setembro de 2020

5 anos de uma vida a dois!

 Nem sempre o início de uma vida a dois é como nos contos de fada. O padrão ideal da sociedade é namorar, casar, ter filhos.

Eu era daquelas pessoas que queria e ambicionava seguir esse critério rigorosamente.

Fez a vida, o destino ou chamem lá o que quiserem, que comigo as coisas fossem de forma diferente. E hoje sinto-me muito feliz da forma como foi, apesar de todos os percalços no caminho.

Eu namorei, engravidei, fomos viver juntos, a Ana Rita nasceu e 1 ano depois casamos.
O dia 19 de setembro de 2015 tornou-se num dia tão importante como o nosso casamento. Foi o início da nossa vida a dois.

Não me lembro se entrei de pé direito ou pé esquerdo. Não houve lua de mel. Não houve festa. Simplesmente foi um dia como todos os outros. Era sábado. Trabalhei até ao final do dia e sabia que a partir daquele dia a casa dos meus pais não seria a casa onde eu iria viver. Porque minha casa será para sempre!!

Vivi o dia ansiosa. A casa estava pronta. Faltava só o sofá, a mesa da sala e as cadeiras.😁 Tínhamos TV mas ainda não tinham instalado a fibra.

Chorei desalmadamente com a despedida do meu pai. Não pela saudade até porque estava a 1.5km de casa deles. Até porque no dia seguinte estaria lá para almoçar. Até porque o meu local de trabalho é precisamente na casa deles!!!

O levantar voo de um filho é sempre difícil, principalmente para o meu pai. Sei que para ele eu sou um amor maior, sou a perfeição e sou a melhor. Talvez este endeusamento por mim seja exagerado, estando quase a par da obsessão. Mas é uma relação única e indescritível esta relação que tenho com o meu pai.

Se me ri no início com aquela choradeira, gozando com a situação e brincando porque não iria para o outro lado do mundo, desarmou-me quando disse ao Manel: " Levas o meu tesouro. Cuida bem dele senão estás feito comigo!"

Eu chorei. O Manel não sabia se ria ou... se ria!😁😁😁

Avançamos para uma vida a dois cheios de amor, mas de muitos medos e incertezas. O Manel estava desempregado, eu grávida, tínhamos feito um investimento na casa e agora as despesas seriam maiores. Eu felizmente, trabalho não me faltava!
Olho para trás e vejo que foi duro. Mas tudo era tão fácil juntos que rapidamente a situação mudou e 15 dias depois ele arranjou um emprego.

Apesar de todas as contrariedades, o humor sempre esteve presente em nós e nos caracteriza. Sempre nos rimos muito. Dizem que fui feita a rir, e pelo que sei se calhar até fui😁😁😁😁

E ainda bem que somos assim porque o primeiro dia foi muito engraçado.
O esquentador que não funcionava, a água que teimava não sair quente, anunciava um início muito frio. Mas quem tem amigos não morre na cadeia, e nós não morremos ao frio.
Depois de um jantar confecionado por nós, toca a descansar numa cama sem almofadas. Sim compramos tudo menos as almofadas!

E foi assim que demos início a uma vida em conjunto que se adivinhava com muitas peripécias mas com muito amor...
Venham muitos 5!!!




terça-feira, 8 de setembro de 2020

LÚPUS E O CABELO!

 Falar de Lúpus também é falar de cabelo... da falta dele... da queda... da mudança.

Hoje, durante o dia coloquei sondagens nas histórias do Instagram e cheguei à conclusão que somos quase todas iguais 😉

Falo -vos da minha experiência. Durante anos, antes do diagnóstico, o meu cabelo passou por vários estágios. Tive quedas de cabelo bastante preocupantes associadas a anemias que se iam tratando.

Aquando o diagnóstico, fui informada que provavelmente o meu cabelo ia cair como se uma quimioterapia se tratasse. Nada disso aconteceu. Tornou-se forte, pesado e liso. Disse adeus ao meu cabelo ondulado e oleoso e aceitei o meu novo cabelo: liso e seco.

Com a diminuição da cortisona, o cabelo foi mudando. Mudando e caindo também... voltou o volume e as ondas e a secura continuou.

Já percebi que a queda faz parte. Tudo depende do interior!
Já usei 1001 coisas... mal não faz mas às vezes não faz nada. Cuidar do cabelo faz parte, protegê-lo também!

Já vos tinha dito que a vida mudou não já? Pois e o cabelo também!

Agora quero saber a vossa história capilar!😉